
Esta exposição é uma das frentes de um projeto amplo, que se desdobra por plataformas físicas e digitais, unindo as vocações de suas duas instituições parceiras: a CAIXA Cultural e o canal Arte1.
Os seis artistas aqui reunidos, das regiões Norte e Nordeste do país, desmancham as verdades absolutas de uma história única e nos convidam a imaginar outras histórias, com outros protagonistas, com roteiros simultâneos, e múltiplos finais possíveis. Dacordobarro, Gê Viana, Labô Young, Moara Tupinambá, Roberta Carvalho e Silvana Mendes têm em comum a reflexão sobre memórias e construção de identidades no Brasil, e atuam na elaboração de novas possibilidades de narrativas e na recuperação das que foram apagadas.
Não à toa, o projeto toma como provocação o termo “amostradas”. Se, em sua origem, ele funcionava como uma pecha dirigida ao feminino — denunciando uma suposta vontade exacerbada de exuberância e frequentemente mobilizado como crítica ao desejo de protagonismo de mulheres e pessoas sexo-dissidentes no Brasil —, aqui esse movimento é reapropriado como um gesto de celebração. A proposta parte da constatação de que muitos desses artistas foram historicamente invisibilizados. Ao reuni-los, o projeto afirma um valor que é também uma decisão curatorial: caminhar deliberadamente na direção de uma hipervisibilidade. Trata-se de trabalhos que desejam ser vistos, apreciados, pensados, criticados e absorvidos: com esses verbos conceitualmente carregados, Amostradas inscreve-se em uma linhagem pop que atravessa as relações entre diferentes mídias e a intensa circulação de imagens na vida cotidiana. Aqui, a exposição assume essa condição como estratégia: transformar aquilo que antes operava como acusação em um dispositivo de presença, afirmação e potência estética.
Para isso, foram comissionadas vinhetas audiovisuais que serão vistas como inserções na programação do Arte1, além desta exposição. Trata-se de uma estratégia de circulação: criar fragmentos de imagem que condensam aspectos de suas pesquisas e que permitem que a arte contemporânea encontre os públicos por meio da televisão. Obras que atravessam plataformas, que dialogam com a cultura visual cotidiana e que reconhecem, nos fluxos de imagem da vida diária, um território legítimo para a experiência estética e para a imaginação crítica. E, de repente, eis que podemos vislumbrar amostras de futuro logo ali à frente.
Gisele Kato e Ulisses Carrilho

Dacordobarro

Nascida em Manaus, Amazonas, em 1995, Dacordobarro mora atualmente em São Luís, Maranhão. A artista transforma suas vivências – as viagens, as experiências no terreiro e na encantaria, a maternidade – em colagens, lambe-lambes, desenhos e pinturas. No centro de sua produção está o olhar para o corpo negro na sociedade brasileira. Música, moda e a tradição oral são referências para a construção de um imaginário de liberdade, fé e autoestima.

Nascida em Santa Luzia, Maranhão, em 1986, Gê Viana mora hoje em São Luís, Maranhão. A artista trabalha com imagens históricas de arquivo e as memórias orais de sua família para explorar o contexto afro-diaspórico maranhense e questionar os discursos dominantes. Em pinturas, lambe-lambes, colagens e instalações, ela articula as linguagens do teatro, da performance e da fotografia, e oferece alternativas às narrativas estabelecidas sobre gênero, raça e orientação sexual na arte e na história brasileiras. Apresentou a instalação “A Colheita de Dan” na 36ª Bienal de São Paulo, em 2025.

Nascido em Icoaraci, Pará, em 1995, Labô Young mora hoje em Belém, Pará. Suas obras abraçam a potência da cultura amazônica e dos saberes ancestrais. Folhas de palmeiras, palhas e sementes são matéria-prima para peças esculturais cheias de tramas e tranças. Reconhecido também no mundo da moda, o artista dialoga com o universo da performance para criar obras que funcionam como escudos ou armaduras em nome da cura.

Natural de Belém, Pará, de 1983, Moara Tupinambá está atualmente radicada em Campinas, São Paulo. Em desenhos, pinturas, colagens e instalações, a artista e ativista indígena defende um olhar voltado para a ancestralidade, a resistência dos povos originários e o pensamento anticolonial. O protagonismo feminino também permeia sua produção: Moara integra o M.AR, coletivo de mulheres artistas do Pará.

Nascida em 1980 em Belém, Pará, onde segue até hoje, Roberta Carvalho assina trabalhos que envolvem várias linguagens visuais e tecnológicas, combinando suportes como vídeo, intervenção urbana, projeção, instalação e projetos interativos. A artista e diretora artística é criadora do Festival Amazônia Mapping, uma iniciativa pioneira que desde 2013 promove a união de arte e tecnologia no Brasil. Em 2022, apresentou no Rock in Rio uma instalação imersiva com mais de 50 artistas amazônidas.

Nascida em 1991, em São Luís, Maranhão, onde continua morando, Silvana Mendes usa fotografia, pintura, lambe-lambe e principalmente a colagem para desconstruir as imagens negativas e os estereótipos impostos aos corpos negros ao longo da nossa história. Suas composições resgatam a subjetividade dos povos negros e dissipam sua postura artística descolonizadora.
